sexta-feira, 13 de junho de 2008

Propaganda enganosa não é propaganda

Uma reflexão: quando você encontra o que as pessoas consideram propaganda enganosa ou marketing abusivo, certamente não está diante de propaganda ou marketing, mas de uma disfunção.


As Disfunções ocorrem em todos os setores da sociedade brasileira. Como o próprio nome diz, representam ações que se contrapõem ao verdadeiro objetivo das Funções. Algumas acabam ganhando mais notoriedade do que as próprias Funções.

Podíamos levar esta análise para o âmbito da ética profissional ou outro aspecto de interesse social, mas prefiro direcioná–la à atividade profissional nas diversas áreas da nossa sociedade, principalmente a mercadológica.

Facilmente encontramos expressões como propaganda enganosa, marketing abusivo ou contabilidade fraudulenta sendo entoadas livres por todos os cantos. Estas expressões, como veremos mais adiante, são exatamente as Disfunções que trata o parágrafo inicial e que, na realidade, não deveriam existir.

Mas então porque existem? Simples. O Brasil já provou que é incompetente em definições e conceitos e, por isso, pagamos os altos preços de não incentivar pesquisas e estudos com este objetivo, tornando mais tranqüilo aceitá–los sob a realidade de outra sociedade e absorver as Disfunções como elemento incluso nas Funções.

Acho que ainda não fui claro e por isso proponho um pequeno exercício. Vamos falar sobre o Marketing (ou mercadologia, como realmente deveria ser chamado). Vamos imaginar um grande circulo chamado mercado contendo vários pontos e que cada um destes se refere a uma atividade. Visualize abaixo:

Entre estes pontos estão: pesquisa de mercado, definição de preço, técnicas de vendas e outras ações, inclusive as que são consideradas erradas e/ou antiéticas.

A função do Marketing ou da Mercadologia é, através de estudos, análises e uso de diversas ferramentas, desenvolver produtos certos para os consumidores certos. Este conceito reafirma o princípio que diz que não é possível criar necessidades, apenas desejos.

A função Marketing não utiliza todas ações que estão no mercado, pelo menos não as que vão contra o seu conceito. O Marketing é um conjunto específico de processos conforme a figura ao lado.

Podemos dizer que toda ação sobre a Função do Marketing usa ferramentas que estão no mercado, mas nem todas estas ferramentas compõem a Função. Desenvolvendo mais este pensamento, posso falar que algumas ferramentas que fazem parte da Função do Marketing, ao serem utilizadas separadamente sem defender os conceitos citados acima, não podem ser chamados de Marketing, pois é um processo e não produto. Não se chega ao Marketing caso não siga seus conceitos e ofereça as práticas (processos) adequados. O simples uso da Pesquisa, apenas, não a confere como Marketing.

Agora eu pergunto uma coisa após este exercício:

Como pode ser chamado de Marketing abusivo, fraudulento ou enganoso se o que ocorreu não é Marketing e sim uma disfunção mercadológica.

No entanto, solicito a sua atenção aos erros que existem no processo. Eles existem e ocorrem com freqüência. As Disfunções, neste caso não são caracterizadas, pois o processo pode ser feito de forma correta, mas o resultado ou produto final pode ser errado. Afinal o mercado é algo ainda incontrolável.

Então, quando encontrarem alguma ação de mercado que não esteja dentro dos conceitos do Marketing, não dê nomes que desacredite os bons profissionais. Chame de qualquer coisa: charlatão e enganador, mas não de ação de Marketing, mesmo que tente dar uma conotação negativa como ocorre. Afinal, volto a falar, o que é feito neste caso, não é Marketing.

Não entendeu, não compreendeu, não aceitou? Vamos partir para um outro exemplo em uma outra área. Vamos partir para a Contabilidade.

Segundo o conceito da Função Contabilidade o processo (veja que volto a falar de processo e não de produto) é colher os dados que são registrados e possui a finalidade de apresentar um relatório contábil após os processos. Você aceitou esta pequena e simples descrição? Então vamos a imagem abaixo:

As letras A, B e C seriam os processos e o Relatório Contábil é o único Produto Final que pode ser produzido seguindo os passos e processos da Função Contabilidade. Outro produto que não seja feito através destes processos não pode ser chamado de Contabilidade. Pode ser chamado de qualquer outra coisa, mas nunca de Contabilidade. E, por favor, não me fale da existência de outros métodos que são utilizados como o Caixa Dois, desvios ou processos fraudulentos. Isto não é Contabilidade e sim outras ferramentas que o mercado utiliza.

Vamos para uma outra metáfora. Ao tentar fazer um bolo de chocolate, segundo a Função Bolo de Chocolate, a produto irá precisar de cinco elementos: panela, energia, chocolate, ovos e farinha. Você pode até tirar os ovos para fazer o bolo, pois talvez nesta situação este processo não seja tão importante, mas jamais poderá tirar o chocolate, não é?

Caso contrário será apenas um bolo, mas nunca de chocolate como era a Função inicial. Se você colocar outro ingrediente como o morango, por exemplo, o Bolo se tornou de Chocorango, uma mistura de chocolate com morango. Esta metáfora é importante para entender esta discussão. O processo para fazer o último bolo foi o mesmo e apenas acrescentou o morango, mas foi o suficiente para se tornar outro produto final.

Vamos pegar um outro exemplo. Vamos falar sobre a Propaganda. Mas, qual seria a sua Função? Despertar desejos e comunicar–se com o Público? Podemos falar que a Propaganda tem a Função de mostrar as qualidades do produto e para isto existem processos que devem ser seguidos.

Não é Função da Propaganda mentir ou tentar utilizar processos que enganem o outro lado do processo de Comunicação que é o Público Final. Aceitando isto novamente eu pergunto: se o processo de comunicação tem o objetivo de enganar, podemos chamá–lo de Propaganda? Claro que não e nem tão pouco de Propaganda Enganosa. Isto é apenas uma má utilização das ferramentas e processos de comunicação que são comuns à Propaganda.

Outros milhares de exemplos podem ser descritos aqui, mas acredito que você já compreendeu o objetivo deste texto. As Disfunções deveriam ser discutidas amplamente pela sociedade, principalmente nos cursos de graduação, pois como falei no início elas estão em todos os setores da sociedade brasileira.

Algumas pessoas indagarão que o cenário atual não permite ter totalmente suas ações direcionadas para as Funções e que estas Disfunções são fugas que garantem muitas das atividades. Infelizmente eu só posso concordar com a situação do país e que existem problemas sérios que dificultam o desenvolvimento do Brasil, mas este é um outro aspecto que merece outras análises.

Facilmente é possível encontrar exemplos sobre empresas e profissionais que fizeram e fazem Contabilidade, Publicidade, Propaganda e Marketing de forma Funcional. E isto basta!

Fonte:http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/05/17/propaganda-enganosa-nao-e-propaganda/

Publicidade Enganosa é crime

Sim, publicidade enganosa é crime, sujeitando o infrator a uma pena de detenção de três meses a um ano e multa. Incorre na mesma pena o agenciador da propaganda enganosa.

A propaganda é enganosa quando induz o consumidor ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço com qualidades que não possui. É uma propaganda falsa. Deve-se distinguir a propaganda enganosa da propaganda abusiva. Esta é mais grave, pois induz o consumidor a se comportar de forma prejudicial. São propagandas que incitam à violência, desrespeitam valores ambientais, exploram o medo do consumidor, ou se aproveitam da deficiência de julgamento ou inexperiência das crianças. Ambas as modalidades de propaganda - a abusiva e a enganosa - são expressamente proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor.

Além da responsabilidade penal, o Código impõe ainda uma responsabilidade civil aos veiculadores de propaganda enganosa ou abusiva. Tal responsabilidade advém do efeito vinculativo da propaganda, através do qual o fornecedor obriga-se por toda e qualquer informação que fizer veicular. Se se dispôs que determinado produto é o de menor preço no mercado, obrigatoriamente o comerciante deverá ofertar o produto com o menor preço. Almeja-se dar uma maior proteção ao consumidor, evitando-se que o mesmo seja ludibriado. É o que vem disposto no art. 30 do Código de Defesa do Consumidor.

Entretanto, aconselha-se que não se interprete tal artigo com excessivo apego gramatical, com extremo rigor formal. O simples exagero na divulgação não obriga o fornecedor. É o caso de expressões exageradas, como “a melhor”, “a mais gostosa”, “o mais forte”, etc. Tais modalidades apenas visam a dar uma conotação mais qualitativa ao produto, não obrigando - até por uma questão de bom senso - o fornecedor. São meros exageros que não permitem uma verificação mais objetiva.

Como exemplo do efeito vinculativo da propaganda, temos o caso das concessionária de automóveis que oferecem “a mais completa garantia do mercado: 02 anos ou 50.000 Km rodados”. Em todos os casos, a garantia expirava-se com o que surgisse primeiro, ou os dois anos ou os cinqüenta mil quilômetros rodados. Mas não havia disposição expressa a respeito de qual modalidade venceria primeiro. Observe-se que as concessionárias interpretavam a seu favor o teor do termo de garantia. Ocorre que, como já expomos em outra oportunidade, as cláusulas contratuais devem ser interpretadas a favor do consumidor, e no presente caso isto não estava acontecendo.

Em Minas Gerais, o Ministério Público ingressou com uma Ação Civil pública, exigindo que o termo de garantia fosse invertido, ou seja, que a garantia continuasse independente do que se vencesse primeiro (os 02 anos ou os 50.000 km). A fundamentação era a mesma que expomos acima, ou seja, a interpretação das cláusulas contratuais a favor do consumidor. Agora, em Belo Horizonte, já é possível andar num Toyota com mais cinqüenta mil quilômetros em menos de dois anos e ainda estar coberto com garantia total.

O Código de Defesa do Consumidor deu à propaganda a natureza jurídica de um contrato. Se antes havia apenas uma oferta via propaganda, no momento em que o consumidor toma conhecimento da mesma, dá-se o efeito vinculativo, e a partir do instante em que este consumidor manifesta sua aceitação pelo produto, a oferta passa a contrato. Mesmo que seja assinado um contrato no qual não conste o disposto na propaganda, seu teor integra o instrumento contratual celebrado.

Constatada a veiculação de propaganda abusiva ou enganosa, o fornecedor fica obrigado também a divulgar uma contrapropaganda nas mesmas dimensões em que foi propalado o anúncio enganoso. Somente após veiculada a contrapropaganda com a efetiva prevenção dos consumidores a respeito do produto, é que exime-se o fornecedor de sua responsabilidade de vinculação.

Com isso, faz-se necessário que estejamos atentos ao que nos é ofertado via anúncios escritos, falados e televisivos. Somente com o pleno exercício ativo de nossa cidadania, estaremos aptos a sermos tratados com dignidade e respeito nas tendenciosas relações de consumo.
Fonte:http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=702

Site sobre consumo consiente

http://www.agenciabrasil.gov.br/grandes-reportagens/2007/04/20/grande
_reportagem.2007-04-20.3395157567

Esse site tem várias coisas sobre o consumo consciente.
Tem um teste se você é um consumidor consciente ou não, como escolher o produto certo, você pode até acusar alguma empresa de objetos de ser contra o consumo consciente.
Divirta-se fazendo esse teste e aprenda mais sobre o consumo consciente.
E lembre-se: SEJA UM CONSUMIDOR CONSCIENTE OU NUNCA MAIS FARÁ ESCOLHAS CERTAS NA VIDA.

CONSUMO CONSCIENTE: Questão de escolha

Ações cotidianas, concretas e voluntárias de consumo consciente permitem a qualquer pessoa contribuir para a preservação do meio ambiente e melhorar a qualidade de vida de todos. Um amplo despertar de consciências para esta nova realidade é um dos desafios lançados pelo Fórum Social Mundial, que começa esta semana, na Venezuela

Você é o tipo de pessoa que entra no supermercado e avalia cada produto que vai colocar dentro do carrinho ou não está nem aí para sua origem e se realmente precisa daquilo naquele momento - muitas vezes, pagando caro por sua escolha? Quem sabe, não chega a esse ponto, mas adora produtos bem baratos, de origem um tanto quanto suspeita e que podem ser consumidos de forma exagerada, sem passar por sua cabeça que está por trás desse baixo custo a exploração da mão-de-obra e geração de problemas sociais ou, até mesmo, o trabalho infantil?

A consciência tem um preço, o qual nem todo mundo concorda em pagar, já que aparenta ser mais elevado do que se gostaria. Hoje muitas questões, sobretudo as ecológicas e ambientais, perpassam pelo seu despertar, nem sempre aceito com tanta prontidão quanto necessário. Criar uma nova cultura que abra espaço para a qualidade e uma vida sustentável ainda parece utópico e distante.

No entanto, o aumento populacional e o consumo desenfreado há tempos vem gerando problemas de grande monta que se tornam cada vez mais críticos, ao ponto de ameaçar a viabilidade de toda espécie de vida sobre a Terra. Esse contexto iminente faz parte de todo um sistema, desencadeado por uma lógica de funcionamento que necessita ser repensada para uma mudança urgente e global.

Tudo o que cerca essa temática está na ordem do dia, pois numerosos grupos e movimentos se encontram reunidos para o Fórum Social Mundial. Esta é a sexta edição do evento, que traz a descentralização como novidade, ao eleger três cidades como sedes (capítulos) dos debates: Bamako (Mali - África, iniciado no último dia 19, se estendendo até amanhã), Caracas (Venezuela – América, de 24 a 29 deste mês) e Karachi (Paquistão – Ásia, com data ainda a ser definida).

Várias entidades mundiais e organizações não-governamentais participam do evento, dentre elas, a ONG sócio-ambientalista de Fortaleza, Associação Alternativa Terrazul, voltada para o desenvolvimento de estratégias, junto às comunidades da capital e do interior do Estado, visando o consumo sustentável.

De acordo com Maria do Socorro Gonçalves, secretária executiva do Terrazul e coordenadora da loja estadual e da Liga dos Consumidores Conscientes do Estado, a ONG foi criada há dez anos e conta com projetos nas áreas de gênero, produção e natureza. O pioneiro deles é desenvolvido no município de Marco (próximo a Jericoacoara), a 250 km de Fortaleza. Seu objetivo é inserir as mulheres na cadeia de produção e sua efetiva participação na vida política e social da comunidade.

A crise ambiental, no olhar de Socorro, passa sim pelas questões de gênero, pois ainda hoje se diminui e exclui o feminino na vida social como um todo. ‘‘Em Marco, o projeto visa a criação de um centro de formação, cultura e produção ecológica. Na comunidade, ainda não existe uma compreensão sobre o impacto imediato dessa iniciativa. As pessoas não sabem até que ponto suas ações diferenciadas ajudarão a mudar algo, sendo grande necessidade de informação’’.

O ponto chave da atuação da Terrazul, contudo, que também será levado para debate neste VI Fórum Social Mundial, é o programa de educação ambiental para a formação de consumidores conscientes, justamente pela importância que tem essa temática sobre o consumo e o meio ambiente.

Para a formação de consumidores conscientes, Socorro Gonçalves diz que, além de ter essa percepção mais clarificada, a estratégia de mudança passa pelo processo educativo, pois é uma ferramenta poderosa, capaz de gerar um senso crítico e ampliar a visão para que novas escolhas sejam estabelecidas.

Os integrantes da ONG formularam um programa de sensibilização da população com metodologia específica, fundamentado nos princípios de Paulo Freire. O processo de construção do conhecimento parte do princípio do que as pessoas sabem sobre o tema, possuindo liberdade para formular seus próprios conceitos.

Outra organização não-governamental focada neste conceito é o Instituto Akatu, criado há cinco anos no âmbito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Seu objetivo, desde o princípio, foi educar e mobilizar a sociedade para o consumo consciente.

A palavra “Akatu” vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, “semente boa” e “mundo melhor”, traduzindo a idéia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo.

De acordo com Aron Belinky, gerente de projetos da ONG, os pilares do Instituto são: educar, informar, sensibilizar, mobilizar e animar cidadãos para assimilarem, em seus comportamentos e atitudes, o conceito e a prática do consumo consciente. Para cumprir esta espécie de ‘‘missão’’ é necessário um trabalho com várias frentes de atuação, como o desenvolvimento de atividades em comunidades; divulgação de conceitos e de informações na Internet, em publicações, na mídia e em campanhas publicitárias; geração de pesquisas; e elaboração de instrumentos de avaliação e informação sobre o consumo consciente.

‘‘Nossa idéia central não é dizer para as pessoas o que elas devem ou não fazer, o que devem ou não consumir. Fornecemos elementos para que pensem e reflitam. O objetivo é aprender a escolher com consciência. Oferecer a informação para as próprias pessoas decidirem é mais desafiador’’, afirma Belinky.

O consumo consciente ou sustentável é um conceito bem mais aberto, que hoje está além da direção da economia, dos direitos do consumidor e da reciclagem de lixo. Não é uma postura reativa, avisa Belinky, mas leva o consumidor a se identificar como um protagonista dentro desse amplo contexto social, político e cultural. ‘‘O consumidor tem poder. Pode e deve usá-lo em benefício de uma sociedade mais sustentável. Ele parte da forma básica do cidadão consumidor para se tornar um consumidor cidadão”.

Fonte:http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article238